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17/12/2012

Hanseníase é tema do suplemento especial da revista 'Memórias'

Isadora Marinho


Riscos da transmissão conjugal, dados epidemiológicos mundiais da última década e a descoberta de áreas da Amazônia com alta incidência de casos entre adolescentes: o suplemento especial da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz de 2012 coloca em foco a hanseníase, agravo negligenciado com alta prevalência em países em desenvolvimento nas Américas e no Sudeste Asiático. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 219 mil pessoas contraem a doença todos os anos e 15% delas vivem no Brasil. Confira a versão digital da publicação, que traz 17 estudos desenvolvidos por instituições do Brasil e do exterior.


 Imagem de inflamação dermatológica de <EM>Mycobacterium leprae</EM> que está na capa das <STRONG>Memórias</STRONG> 

Imagem de inflamação dermatológica de Mycobacterium leprae que está na capa das Memórias 


Estima-se que apenas 5% da população mundial desenvolvem a hanseníase após a infecção pelo bacilo Mycobacterium leprae. No entanto, a ciência desconhece os fatores que determinam a imunização ou vulnerabilidade à doença. Neste estudo – que compõe o suplemento especial da Memórias – uma pesquisadora do Center of Disease Control (CDC), nos Estados Unidos, analisou os riscos sofridos por cônjuges e familiares que convivem com um paciente não-tratado no mesmo domicílio. O índice de transmissão entre esposos foi calculado entre 1% e 10%. Já dentro de casamentos consanguíneos, a taxa foi maior – assim como a vulnerabilidade de familiares à infecção. Na Índia, país endêmico para a doença, há o estímulo à união entre primos de primeiro grau, o que eleva o risco de transmissão conjugal para 43% em algumas regiões. A pesquisa conclui que existe uma predisposição genética à doença e que a identificação destes marcadores permitirá o monitoramento da população vulnerável e o emprego de terapias preventivas. Confira o estudo.


Casos não registrados entre crianças na Amazônia


Pesquisadores do Pará e de São Paulo revelam um alto número de casos não diagnosticados de hanseníase dentre a população infanto-juvenil da região amazônica. Após exames clínicos e sorológicos realizados com 1.592 estudantes de oito municípios endêmicos, pesquisadores identificaram 63 novos casos e 777 pacientes soropositivos. Foram examinados, ainda, 256 familiares das crianças diagnosticadas, dos quais 24 eram portadores da doença e 107, soropositivos. Estudantes com menos de 15 anos responderam por 58% dos novos casos e a soroprevalência foi maior dentre meninas que estudavam em escolas públicas de áreas urbanas. Assinam o artigo pesquisadores da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Universidade Federal do Pará (UFPA), Unidade de Referência Especializada em Dermatologia Sanitária Dr. Marcello Candia, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL). Leia o artigo.

 

Um balanço global da hanseníase


Em 1991, a OMS estabeleceu como meta para o ano 2000 a redução da prevalência da hanseníase para um caso a cada 10 mil habitantes. Desde então, governos conquistaram melhorias significativas no controle da doença – no entanto, ela permanece no rol dos agravos negligenciados em países como Brasil, Índia e Bangladesh. Estudo desenvolvido por pesquisadores do Departamento de Epidemiologia e Bioestatística da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade de Brasília (UnB) revisa os dados publicados pela OMS nos anos de 2000, 2005 e 2010, além de analisar o desempenho dos países envolvidos, na última década, com estratégias para a erradicação da doença. Veja o estudo.


O desafio da erradicação


Países endêmicos, o Nepal, Brasil e Timor Leste falharam em cumprir a meta internacional estabelecida para o ano 2000, que previa a redução no número de casos para um a cada 10 mil habitantes. Segundo o Ministério da Saúde, nosso coeficiente geral de detecção da hanseníase era, em 2010, 1,8 por 10 mil habitantes – o dobro do almejado pela OMS. Neste sentido, o estudo aborda os sucessos e fracassos na implementação da poliquimioterapia (PQT) como instrumento principal de combate. De acordo com os pesquisadores, embora tenha sido registrada uma importante queda na prevalência da doença na última década, não houve grandes alterações quanto à incidência nos países mais endêmicos. Isso significa que a transmissão do Mycobacterium leprae ainda é um problema – e que ele dificilmente será resolvido até 2020, nova data proposta pela OMS. Estão envolvidos neste estudo pesquisadores da Universidade Nilton Lins (Unilins); da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG); Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade de Brasília (UnB). Confira aqui.


Publicado em 14/12/2012.

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