Representante da OMS discute acesso ao tratamento anti-retroviral

Publicado em
Catarina Chagas e Fernanda Marques
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Atualmente, cerca de 3 milhões de pessoas estão em tratamento para HIV/Aids no mundo, o que representa um aumento de dez vezes em cinco anos. No entanto, apenas 30% da necessidade de tratamento são atendidos hoje. Por isso, constitui um desafio para os países ampliar o acesso aos medicamentos, que tem sido prejudicado pelas iniqüidades sociais. O alerta foi feito nesta quinta-feira (17/4) pelo infectologista Marco Vitória, do Departamento de HIV/Aids da Organização Mundial de Saúde (OMS), durante o 2º Congresso da CPLP sobre DST/Aids, no Rio de Janeiro.


Sobre as iniqüidades, o médico citou o caso da África Subsaariana, que reúne 11% da população mundial e concentra mais de 60% dos indivíduos vivendo com HIV/Aids, embora conte com apenas 3% dos profissionais de saúde. Segundo cálculos do palestrante, há um médico para cada 390 habitantes nos Estados Unidos, enquanto em Moçambique esta proporção é de um para 33 mil.


Marco Vitória lembrou ainda que, todos os dias, 6.800 pessoas são infectadas pelo HIV e 5,7 mil morrem em decorrência da doença no mundo. Para solucionar o problema, é preciso investir em prevenção e acesso aos anti-retrovirais. Segundo o palestrante, além do avanço em saúde pública, este investimento traz também benefícios econômicos. “Tem sido observado em alguns países que a ampliação do acesso aos medicamentos tem sido acompanhada por uma retomada do crescimento do PIB”, disse.