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23/06/2023

Unidade internacional da Fiocruz-Pasteur-Birmingham vai investigar doenças fúngicas

Ana Paula Blower (Agência Fiocruz de Notícias)


Com um longo histórico de cooperação e uma plataforma bilateral em imunologia sendo desenvolvida na Fiocruz Ceará, mais um passo foi dado para fortalecer a parceria entre a Fiocruz e o Instituto Pasteur, dois membros da Rede Pasteur. O Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná) abrigará uma Unidade Internacional de Pesquisa do Instituto Pasteur. A unidade foi aprovada por meio de processo competitivo aberto pelo instituto francês em 2021 e teve o contrato assinado em abril deste ano. Pelos próximos cinco anos, a unidade investigará os mecanismos através dos quais os fungos causam danos ao hospedeiro humano. A Universidade de Birmingham, na Inglaterra, também faz parte da parceria, somando esforços para avançar no tema.

Com seu trabalho, a Unidade Internacional, denominada Vesículas Extracelulares de Fungos, visa produzir resultados científicos que tragam benefícios às pessoas acometidas por doenças fúngicas. Além disso, a unidade de pesquisa promoverá intercâmbio científico e o treinamento de colaboradores da Fiocruz em instituições parceiras.

Coordenador brasileiro da unidade e pesquisador da Fiocruz Paraná, Marcio Rodrigues destaca que o Instituto Pasteur é uma das principais instituições de pesquisa do mundo e que tem um alcance internacional muito grande. “As unidades internacionais de pesquisa do Instituto Pasteur são estruturas temporárias que servem para reunir competências de grupos de diferentes lugares do mundo para promover o avanço de determinada área. É, portanto, uma honra nos juntarmos a eles na criação desta unidade internacional”, afirma Rodrigues.

A proposta para a criação da unidade se baseou numa descoberta do grupo brasileiro. Há 15 anos, o grupo descreveu pela primeira vez a existência de vesículas extracelulares em fungos, que foram posteriormente caracterizadas como estruturas que esses patógenos usam como veículos para causar danos aos hospedeiros. Hoje, explica Rodrigues, estudos desenvolvidos por parceiros franceses e ingleses em colaboração com grupos brasileiros indicam que essas vesículas são vistas como candidatas vacinais, bem como mediadoras de resistência a fármacos antifúngicos. 

“São estruturas muito importantes para o processo infeccioso. Nosso modelo principal de estudo é o fungo Cryptococcus, que causa infecções cerebrais muito letais. Mas essas vesículas parecem ser produzidas por todos os fungos estudados até agora. Trata-se de uma característica geral e essencial para a biologia de fungos”, explica o pesquisador.

Desde 2018, Fiocruz e Pasteur colaboram no tema, já que Marcio Rodrigues foi um dos vencedores da Chamada Tripartite Fiocruz-Pasteur-USP em 2017. Agora, com a participação da Universidade de Birmingham, o objetivo é unir esforços em cima de uma pergunta que começou no Brasil, enfatiza Rodrigues, a partir do intercâmbio de pesquisadores e da troca de conhecimento.

Projetos científicos em andamento

Nos próximos cinco anos (tempo previsto para a vigência da unidade), será formada uma equipe conjunta, que terá acesso a toda a infraestrutura existente nas instituições envolvidas, desde o uso de equipamentos até o intercâmbio de pesquisadores e colaboradores.

Os projetos científicos vinculados à unidade estão em andamento desde abril. Em junho, será realizada uma reunião no Instituto Pasteur, em Paris, entre cientistas do Pasteur e da Fiocruz. Em novembro, um novo encontro será realizado, desta vez na sede da Universidade de Birmingham, na Inglaterra. A unidade reúne as equipes comandadas por Marcio Rodrigues (Fiocruz Paraná), Guilhem Janbon (Instituto Pasteur, Paris) e Robin May (Universidade de Birmingham).

Parceria com o Instituto Pasteur e a Rede Pasteur

A Fiocruz e o Instituto Pasteur mantêm uma relação de cooperação duradoura e estratégica, que remonta aos primeiros anos do instituto francês, criado em 1888: Oswaldo Cruz foi o primeiro brasileiro a estudar lá. A relação foi construída ao longo das últimas décadas, com interesse contínuo de ambas as instituições. Atualmente, um dos destaques dessa parceria é a participação da Fiocruz, desde 2009, na Rede Pasteur, uma vasta comunidade científica com mais de 30 membros em mais de 20 países, contribuindo juntos para a saúde global. A Fundação tornou-se membro oficial da rede em 2015.

Rede Pasteur

A Rede Pasteur é uma vasta comunidade humana e científica. Localizada no coração das áreas endêmicas, a rede tem acesso privilegiado a um grande número de patógenos que monitora e estuda nos cinco continentes. Essa diversidade excepcional torna a Rede Pasteur um ator global único em saúde pública, ciência, inovação e educação, especialmente na luta contra doenças infecciosas.

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