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02/01/2008

Hospital também é lugar de compartilhar conhecimentos

Isis Breves


A partir dos bons resultados do grupo de estudo formado por pacientes do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec) da Fiocruz e seus familiares, sob coordenação da epidemiologista Claudia Teresa Vieira de Souza, originou-se outro projeto, intitulado Grupo de estudo em epidemiologia e prevenção das doenças infecciosas e parasitárias: uma iniciativa permeada pela humanização na construção compartilhada de conhecimentos. “O diferencial é que as aulas serão oferecidas não só para os pacientes e seus familiares, mas também para os trabalhadores da Fiocruz que tiverem interesse pela aprendizagem sobre prevenção de doenças, além do lançamento de um livro educativo com o conteúdo ampliado das aulas no primeiro semestre de 2008”, explica Claudia.


 Curso conta com aulas práticas, dinâmicas, jogos e outros recursos

Curso conta com aulas práticas, dinâmicas, jogos e outros recursos


O livro abordará noções básicas sobre célula, infecção, processo saúde-doença, anatomia do corpo humano, microbiologia, principais vetores e agentes etiológicos das doenças infecciosas mais freqüentes em pacientes atendidos no Ipec, vigilância epidemiológica, exemplos de doenças de notificação compulsória, como a tuberculose e Aids, farmacovilância e infecção hospitalar.  


O grupo de estudo com pacientes e seus familiares foi uma iniciativa pioneira de usar o hospital como local para aprender e compartilhar conhecimentos. “Era um estudo-piloto que agora foi aprovado e se transformou num projeto de pesquisa financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj)”, explica Claudia. Ela ressalta que, durante as consultas de saúde, identificou-se que muitos dos pacientes do projeto de quimioprofilaxia para tuberculose haviam parado de estudar no ensino fundamental ou médio. “Durante o atendimento, foram relatadas à nossa equipe histórias únicas, vivenciadas principalmente por pacientes portadores de doenças infecciosas e parasitárias (como tuberculose, HIV e leishmaniose), seus familiares e amigos. O fato diagnosticado pela minha equipe era de que a grande maioria deles gostaria de continuar a estudar. Por isso, resolvemos criar ações educativas de saúde públicas relacionadas às doenças infecciosas”, conta.


Segundo a coordenadora, a partir desse diagnóstico, foi realizado, em setembro de 2005, um estudo-piloto direcionado à clientela do projeto de quimioprofilaxia para tuberculose. O  objetivo era resgatar conceitos adquiridos no ensino formal para facilitar o entendimento das doenças infecciosas e conseqüentemente a prevenção das mesmas. “Nossa proposta para 2008 é fazer um grupo de estudo com trabalhadores do Ipec e futuramente com outros funcionários da Fiocruz. Isso porque muitos trabalhadores da Fundação já manifestaram interesse em participar do grupo", adianta Claudia. Nos grupos de estudo, haverá pessoas com diferentes níveis de escolaridade em uma mesma turma. A idéia é promover a troca de saberes pelos participantes, propiciando impacto significativo nas estratégias de ensino e aprendizagem em biociência e saúde. “O projeto é permeado pela humanização na construção compartilhada de conhecimentos, com a valorização dos diferentes sujeitos envolvidos no processo de produção de saúde”, acrescenta a epidemiologista. 


"O paciente sabe muito sobre a doença por vivenciá-la em seu cotidiano. Ao pensar no curso, a equipe colocou como prioridade a criação de um espaço para troca de experiências traduzidas na voz dos pacientes", esclarece a bióloga Lucia Ballester, do Laboratório de Biologia Celular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), que participa da iniciativa.


O médico Marco Aurélio Montes, aluno de doutorado de Claudia, é outro integrante da equipe. Ele ministra aulas de noções básicas de anatomia e, para isso, utiliza peças anatômicas reais. “A visualização dos órgãos gera reforço positivo para discutir diversos temas, principalmente no caso das doenças infecto-contagiosas", diz Marco. "Sempre que trabalhamos junto a comunidades específicas, abordando temas de seu interesse, ampliamos as possibilidades de que informações precisas passem a ser difundidas por agentes multiplicadores”.


Além das peças anatômicas, muitos outros materiais são utilizados nas aulas. "Trabalho com dinâmicas e jogos, que constituem a metodologia que desenvolvi no meu doutorado”, afirma a enfermeira Sonia Neves, da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Ipec e também orientanda de Claudia. Sonia enfatiza em suas aulas a prevenção e o controle de infecção hospitalar, destacando que lavar as mãos é uma das principais estratégias.

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