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24/05/2012

Pesquisa aponta importância dos eventos adversos no parto para a saúde da mulher

Informe Ensp


Além da morte materna, outros problemas relacionados à gravidez, ao parto e ao puerpério afetam a saúde da mulher. A tese de doutoramento de Lenice Gnocchi da Costa Reis, apresentada em sessão científica realizada na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), teve como intenção ampliar o conhecimento acerca dos eventos adversos (EA) que ocorrem na assistência ao trabalho de parto e parto em ambiente hospitalar. Para isso, foi realizada uma revisão da literatura sobre os métodos que vêm sendo utilizados para detecção desses eventos. A partir dessa revisão foi proposto um método e desenhado um instrumento composto por um conjunto de critérios de rastreamento (CR), que tomou como base o modelo do Institute for Healthcare Improvement. Esse instrumento foi submetido a um painel de especialistas realizado na Ensp para torná-lo mais adaptado à realidade das maternidades do país e foi, posteriormente, aplicado em uma maternidade pública municipal, do Rio de Janeiro.


 Foram identificadas 64 pacientes com pelo menos um evento adverso e 73 eventos adversos

Foram identificadas 64 pacientes com pelo menos um evento adverso e 73 eventos adversos





O método se assenta na análise retrospectiva de prontuários orientada por um conjunto de critérios de rastreamento de eventos adversos. Uma amostra de 300 prontuários selecionados aleatoriamente entre os 4.340 partos que ocorreram na maternidade, em 2010, foi analisada. Foram identificadas 64 pacientes com pelo menos um evento adverso (21,4%; 64/300) e 73 eventos adversos (24,3 EA/100 pacientes). Entre esses eventos os mais comuns foram aqueles relacionados à doença hipertensiva, à infecção, à hemorragia, danos ao períneo e cefaleia pós-raquianesntesia.


Esses eventos foram revisados e classificados de acordo com o grau do dano provocado. Em 42,5% dos eventos adversos, o dano foi considerado como temporário com necessidade de intervenção; em 34,5% o dano foi temporário, mas resultou em prolongamento do tempo de internação; 6,8% foram danos permanentes a paciente; e, 16,4% necessitaram de intervenção para manutenção da vida. Lenice também destacou que foi observado aumento de cerca de dois dias no tempo de internação das pacientes que sofreram algum evento adverso, o que traz um impacto importante sobre os custos do sistema de saúde, que é responsável por quase dois milhões de partos por ano. A pesquisadora destacou que a detecção dos EA por si só não é suficiente para promover mudanças e melhoria na qualidade da atenção.

 

Os fatores de risco relacionados à assistência ao trabalho de parto e parto envolvidos na ocorrência dos eventos adversos, de menor ou maior gravidade, precisam ser mais bem conhecidos. A revisão sistemática sobre esses fatores para morte e morbidade materna, incluindo eventos adversos de menor gravidade, apontou que a indução/aceleração do trabalho de parto, o tipo de parto e a duração dos estágios do trabalho de parto são importantes fatores de risco que contribuem para diversos desfechos negativos e que podem ser modificados por meio da ações educativas e construção de protocolos clínicos baseados em evidências científicas. O uso de instrumentos dessa natureza pode auxiliar as maternidades a identificar resultados não desejáveis que acontecem no seu dia-a-dia e fornecer informações importantes para a adoção de medidas que tornem o cuidado ao parto mais seguro e eficiente.



Publicado em 22/5/2012.

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