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17/01/2017

Fiocruz contribui para imunização contra febre amarela

Gabriella Ponte e Isabela Pimentel (Bio-Manguinhos/Fiocruz) / AFN


Diante do possível aumento dos casos de febre amarela no norte de Minas Gerais, que já somam 152 suspeitos em 26 municípios e 37 prováveis (dados divulgados em 16/1), e da repercussão do surto na imprensa, o Ministério da Saúde tem reforçado a importância da vacinação contra febre amarela para a prevenção da doença e divulgado uma série de informações em seu site e redes sociais. A população tem procurado os postos de saúde em busca do imunizante, mas é importante que a vacinação seja feita obedecendo às suas indicações e contraindicações.

Em fevereiro, serão entregues por Bio-Manguinhos/Fiocruz mais 600 mil doses, que poderão chegar a 2,6 milhões, dependendo da necessidade (foto: Bernardo Portella)

 

O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) é reconhecido internacionalmente como fabricante da vacina contra febre amarela (antiamarílica), atendendo anualmente às demandas do Programa Nacional de Imunizações (PNI). A unidade entregou entre 1987 e 2016 um total de 598.250.080 doses para todo o território nacional. Só em dezembro de 2016 e janeiro de 2017, a Fiocruz entregou 9,29 milhões de doses de vacina de febre amarela para o Ministério da Saúde e estão sendo distribuídas pela Central Nacional de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos (Cenadi).

Em fevereiro, serão entregues mais 600 mil doses, que poderão chegar a 2,6 milhões, dependendo da necessidade. Bio-Manguinhos está embarcando, ainda esse mês, a pedido da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), 2,1 milhões de doses da vacina para Colômbia, Equador e Venezuela. Para Angola, a pedido do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), embarcarão 700 mil doses.

Vacina é o melhor remédio

Como a transmissão silvestre da febre amarela não é erradicável, porque envolve macacos (não sendo possível vacinar todos eles), a vacina continua sendo recomendada para moradores e visitantes de áreas onde foram notificados casos suspeitos da doença. Mas, um ponto importante é que a vacinação, devido aos efeitos adversos associados, apesar de raros, não deve ser feita sem avaliação de cada caso pelo profissional de saúde.

Dentre os efeitos adversos mais comuns após aplicação da vacina estão febre, dor de cabeça e muscular, além de reações no local da aplicação. Um dos mais graves problemas associados à vacina atenuada é a doença viscerotrópica, reação grave e rara, na qual o vírus se replica de forma anormal e pode haver falência múltipla de órgãos. De acordo com o consultor científico sênior, Reinaldo Menezes, tal ocorrência é rara, podendo ocorrer em 1 a cada 400 mil doses aplicadas.

Recomendações e contraindicações

Neste momento de surto, é preciso conhecer as recomendações e contraindicações da vacina, para evitar possíveis falhas na aplicação. No Brasil, nas áreas com recomendação de vacinação de rotina, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) orienta uma dose aos nove meses, com reforço aos 4 anos. Acima desta idade, duas doses, com intervalo de dez anos. Em situações de surto, recomenda-se antecipar a primeira dose para os seis meses de idade, repetindo-se a vacinação aos nove meses e quatro anos de idade.

Essa regra também vale para aqueles que residem ou irão viajar para regiões endêmicas de febre amarela. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda somente uma dose, e esta recomendação se aplica aos viajantes internacionais.

A vacina, que tem eficácia maior que 95%, é contraindicada para menores de 6 meses de idade e pessoas que estejam com doença febril aguda e tenham histórico de reações anafiláticas (alergia grave e imediata) ao ovo de galinha e gelatina. No caso das gestantes, a vacina somente deve ser administrada com orientação médica, avaliando o risco/benefício da vacinação.

Há indicações de que pessoas portadoras de doenças autoimunes, como lúpus eritematosos sistêmico, podem ter maior risco de eventos adversos graves após administração da vacina contra febre amarela. O seu uso nessa eventualidade somente deve ser realizado após avaliação de risco-benefício, a critério médico. Também há evidências de que pessoas com histórico de doença do timo, por exemplo, timoma, miastenia gravis, timectomia, ou doenças autoimunes, como lúpus eritematoso sistêmico, têm risco aumentado de doença viscerotrópica associada à vacinação contra febre amarela.

Alguns estudos indicam que há risco aumentado de eventos adversos após a administração da vacina contra febre amarela em pessoas idosas. Deve-se avaliar o risco x benefício da vacinação contra febre amarela neste grupo etário. A vacina contra febre amarela não deve ser usada em pessoas submetidas a tratamento com corticosteróides, antimetabólitos, radiação ou a qualquer outra terapia imunossupressora.  Em levantamento feito pela Assessoria Clínica de Bio-Manguinhos constatou-se que 75% dos indivíduos vacinados contra a febre amarela tinham anticorpos detectáveis dez anos depois, mas 25% não tinham esses anticorpos detectáveis. A revacinação seria, portanto, uma garantia.

Orientação ao viajante sobre áreas endêmicas

Os Ministérios do Meio Ambiente (MMA) e da Saúde (MS) reforçam aos interessados em viajar para áreas com risco de ocorrência da febre amarela  a importância de tomar a vacina contra a doença. Áreas de ecoturismo l e locais com matas e rios, onde o vírus e seus hospedeiros ocorrem naturalmente, são identificadas como áreas de risco.

A vacina contra a febre amarela é ofertada no calendário nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) e é enviada, mensalmente, para todo o país. De acordo com o Ministério da Saúde, pessoas que desejam viajar para áreas com recomendação de vacina devem receber a primeira dose pelo menos 10 dias antes da viagem. 

Para que você tenha uma ótima viagem no Brasil e no exterior, consulte dicas práticas e informações essenciais que vão ajudar a proteger a sua saúde e tornar suas férias mais agradáveis e tranquilas. Acesse o Portal do Viajante. Confira aqui a listagem da OMS dos países que requerem a vacinação obrigatória. A maior parte do território brasileiro é considerada área com recomendação para vacinação de rotina contra a doença. Não fazem parte desta lista Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro. 

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